A Argentina sob Milei: As Profecias Fracassadas dos Especialistas

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Publicado:
23/2/2026
Última Atualização:
23/2/26
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A Argentina sob Milei: As Profecias Fracassadas dos Especialistas

Viva la libertad, carajo! 

As últimas eleições na Argentina, que renovaram parte do Congresso, contrariaram praticamente todas as previsões e marcam mais um ponto a favor da virada radical na política do país, mas, acima de tudo, a favor da confiança na política de reformas libertárias a nível mundial. Afinal, o que é mais importante do que resultados concretos?

O partido de Javier Milei, “La Libertad Avanza” (LLA), obteve mais de 40% dos votos nas últimas eleições, um resultado que nenhum instituto de pesquisa havia previsto. Mesmo no reduto dos peronistas, a populosa província de Buenos Aires, Milei venceu com 41,5% contra 40,8% para a oposição, um avanço histórico em uma região que, por décadas, esteve firmemente nas mãos da esquerda.

As consequências diretas são extremamente significativas do ponto de vista político: o partido de Milei aumentou sua representação na Câmara dos Deputados de 37 para 101 cadeiras, de um total de 257, e no Senado de 6 para 20, de um total de 72. 

Com essa nova força, Milei tem, pela primeira vez desde que assumiu o cargo, em dezembro de 2023, o poder parlamentar para implementar sua agenda de reformas, sem enfrentar bloqueios constantes. Com os 64 novos deputados da LLA, os assentos atuais na Câmara dos Deputados são mais do que suficientes para atingir as 86 cadeiras necessárias para formar uma minoria de bloqueio.

Ao longo dos últimos anos, seus críticos espalharam uma enxurrada de previsões negativas sobre seus planos e objetivos, o que é motivo o suficiente para relembrarmos hoje as avaliações mais equivocadas, e, é claro, com uma pitada de satisfação e com a esperança de que esse modelo encontre eco em outros países, justamente por causa desses resultados reais.

Vejamos, então, os mitos, as notícias falsas e as previsões erradas, e falemos sobre os resultados reais de Milei. Em seguida, analisaremos, principalmente, o que ainda se pode esperar dele nos próximos meses.

Mito 1: Milei agrava a crise da pobreza

Em novembro de 2023, mais de cem economistas renomados alertaram, em uma carta aberta, que os cortes orçamentários planejados por Milei aumentariam a pobreza no país e levariam ao caos social. 

O jornal britânico The Guardian chegou a comentar a vitória eleitoral de Milei como um “dia sombrio para a democracia” e profetizou que a política libertária do “ultradireitista” Milei ameaçava aprofundar os graves problemas econômicos do país.

Desde sindicatos até a Igreja Católica, os oponentes de Milei batiam na mesma tecla: as medidas de austeridade afetariam principalmente os mais vulneráveis da sociedade. De fato, nos primeiros seis meses do ano, os índices de pobreza dispararam para cerca de 53%, mas vêm se recuperando gradualmente desde então. Os primeiros meses da “terapia de choque” de Milei foram, é claro, explorados pela mídia: cenas de restaurantes comunitários e de famílias empobrecidas nas ruas alimentaram a narrativa da mídia de que as políticas de Milei haviam agravado e continuariam a agravar a miséria social de forma massiva e sem precedentes.

Quase dois anos depois, no entanto, o quadro é completamente diferente. Novos dados econômicos refutam todas as previsões negativas. A taxa de pobreza, que afetava mais da metade da população quando Milei tomou posse, caiu para pouco mais de um terço (cerca de 38%), segundo dados do governo. Embora a política de Milei tenha começado com uma “desvantagem” em relação aos governantes anteriores, ela está tirando milhões de argentinos da pobreza.

Após o choque inicial, a taxa de inflação também caiu drasticamente – de mais de 200% em 2023 para cerca de 30% ao ano. Uma queda de quase 170 pontos percentuais em um ano e meio. Dificilmente haverá provas mais evidentes de que não são necessárias fórmulas milagrosas, mas, sim, ações lógicas e consistentes.

Ao comparar o primeiro semestre de 2024 com o primeiro semestre de 2025 no gráfico, o quadro fica bastante claro. Em 2024, 42,5% dos lares eram pobres, o que afetava 52,9% da população. Desses, 13,6% eram lares extremamente pobres, muitas vezes sem teto, representando 18,1% da população. Um ano depois, vemos o que a política real, e não o teatro político, pode fazer: a pobreza caiu cerca de 40%, e o número de pessoas em situação de rua, quase 60%. Isso representa mais de dez milhões de pessoas cujo dia a dia não é mais marcado pela fome, frio e falta de perspectivas. E tudo isso sem recorrer a empréstimos e com um orçamento equilibrado.

É notável que mesmo esses números não tenham diminuído nem um pouco o ímpeto de alguns meios de comunicação. Em vez de reconhecerem os fatos, agora alegam que os dados foram manipulados. Quando a realidade não se encaixa na narrativa, ela é simplesmente reescrita.

Mito 2: A Argentina mergulhará em uma profunda recessão

Alegou-se que os planos de Milei, como a abolição do Banco Central e cortes rigorosos nas despesas públicas, teriam consequências devastadoras e levariam ao caos econômico. No primeiro trimestre de 2024, o Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina encolheu mais de 5% em relação ao ano anterior, e os analistas previram uma queda adicional de cerca de 1,5% para o segundo trimestre – o que representaria o quinto trimestre consecutivo de declínio. Em setembro de 2024, a agência de notícias Reuters também noticiou: “A recessão se aprofunda sob a rigorosa política de austeridade do presidente Milei”.

Em 15 de janeiro de 2025, o jornal Die Zeit noticiou, com base em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), que a Argentina permanecia “em grave recessão” no final de 2024, apesar da queda da inflação. O FMI previa uma retração de 3,5% na economia para o ano de 2024 como um todo. Os rigorosos cortes de gastos de Milei – isto é, a suspensão de projetos governamentais e demissões em massa no serviço público – causaram flutuações temporárias na economia interna.

Contudo, contrariando essas previsões pessimistas, uma primeira inversão de tendência começou a surgir no final de 2024. Os números oficiais mostraram que a queda econômica foi menos acentuada do que se temia. O PIB argentino encolheu apenas 1,8% no ano, apenas metade dos cerca de 3,5% originalmente previstos.

Em dezembro de 2024, o desempenho econômico cresceu 5,5% em relação ao ano anterior. No início de 2025, Milei apresentou os novos números como prova da legitimidade de sua dura política de austeridade, que ele e muitas pessoas classificam como o “maior ajuste fiscal da história”.

Diante desses desenvolvimentos, as perspectivas econômicas oficiais para a Argentina também melhoraram significativamente até o final de 2025. Instituições internacionais revisaram suas previsões para cima. O FMI agora espera um crescimento de cerca de 5% para 2025 – uma taxa que, na América Latina, só é superada pela Guiana, rica em petróleo. O Banco Mundial também se mostra otimista, prevendo um crescimento de 4% do PIB para o ano.

Hoje, sabemos que a economia argentina se recuperou sob Milei de forma significativamente mais rápida do que se pensava. Milei desmentiu muitos céticos – e isso apenas por meio de fatos. A economia argentina está crescendo novamente desde o final de 2024. 

A recessão ACABOU: o segundo trimestre de 2025 já apresentou um crescimento de 6,3%. Parece que não se tratava da “pior crise econômica em décadas”, como se dizia em março de 2024, não é mesmo?

Mito 3: Haverá hiperinflação e o peso entrará em colapso total

Tanto a mídia de língua inglesa quanto a brasileira pintaram um quadro extremamente sombrio. O jornal FAZ, por exemplo, noticiou, em fevereiro de 2024, que o país estaca “à beira do abismo”, com uma inflação superior a 250%. Presumia-se que o novo governo Milei dificilmente conseguiria controlar a desvalorização da moeda, havendo, ao contrário, o risco de uma hiperinflação. Pouco depois de tomar posse, o próprio Milei admitiu que a situação era crítica: “O governo passado nos deixou com hiperinflação”, alertou ele em seu discurso de posse em dezembro de 2023. Segundo Milei, sem um choque econômico severo, a inflação anual poderia explodir para 15.000%.

Esse cenário não se concretizou graças às medidas tomadas pelo governo, como podemos ver a seguir:

A inflação subjacente na Argentina voltou a ficar abaixo da marca de 2% ao mês em setembro de 2025, registrando 1,9%, isto é, 0,1 ponto percentual a menos que em agosto. Esse é o melhor resultado desde 2018. 

No setor de serviços, os aumentos de preços caíram para o nível mais baixo dos últimos quatro anos. O gráfico à esquerda mostra as faixas de inflação por grupo de produtos e, pela primeira vez, todas as áreas estão abaixo de 3,5% ao mês. A tendência de queda é clara, estável e, até o momento, ininterrupta

Também reconhecemos que o auge da crise ocorreu precisamente por volta da posse de Milei. Depois disso, a inflação despencou. Em quase dois anos, a inflação em 12 meses caiu do seu máximo histórico para valores que a Argentina não via desde antes do forte aumento. A tendência é estável, não errática. Sem qualquer quebra de tendência.

Isso é a prova gráfica de que a pressão inflacionária colapsou após as reformas de Milei e de que, em retrospecto, o discurso sobre hiperinflação não passa de propaganda por parte de supostos defensores da democracia.

Quase dois anos depois, a Argentina se depara com um cenário que muitos especialistas, alguns autoproclamados, não esperavam. A hiperinflação tão profetizada não ocorreu. 

Em vez de taxas de inflação de três dígitos, o país de Milei vê agora algo que quase pode ser chamado de estabilidade de preços. No final de 2024, a inflação já havia caído drasticamente. 

De acordo com o INDEC, a taxa anual foi de 117,8%, bastante inferior aos 211,4% registrados em 2023. Trata-se de uma queda de 94 pontos percentuais em um ano, muito mais forte do que a maioria dos analistas havia previsto.

Em outubro de 2024, o país registrou a menor inflação mensal em três anos. Os preços estão subindo mais lentamente do que os críticos esperavam. Mais uma vez, a política de estabilização de Milei está surtindo efeito. A política de choque começa a surtir efeito após os valores mensais caírem significativamente a partir da primavera de 2024.

O que ainda podemos esperar de Milei

Reforma Tributária e Trabalhista

Um ponto central da agenda de Milei é o que, durante décadas, foi considerado um sacrilégio político na Argentina: um sistema tributário que realmente seja compreensível. 

Milei não deseja reformar a estrutura fiscal, mas simplificá-la. Menos impostos, menos exceções, menos burocracia – e, com isso, finalmente a oportunidade de que o trabalho e o empreendedorismo deixem de ser tratados como atos criminosos. Até mesmo o famoso imposto sobre o salário (“Impuesto País”) foi extinto. Paralelamente, Milei abala a rígida legislação trabalhista, implementando contratações mais flexíveis, demissões mais simples, jornadas de trabalho mais em turnos mais flexíveis e a transferência de responsabilidades para o nível provincial. Analistas veem nisso o fim de décadas de bloqueios ao crescimento – traduzido em poucas palavras: menos Estado, mais economia.

Privatização e desestatização

O segundo grande bloco é o desmantelamento do socialismo estatal. As empresas estatais que geram prejuízos há anos devem ser privatizadas ou falir, deixando de gerar custos para o contribuinte. 

Milei afirmou isso abertamente durante a campanha eleitoral. Agora, com maioria no Parlamento, espera-se que os setores de transporte, energia e financeiro sejam os próximos alvos. 

Para nós, libertários, está claro: com a privatização dos ineficientes colossos estatais, a Argentina finalmente chegará estruturalmente ao século XXI.

Redução da burocracia e desregulamentação

O cerne das reformas de Milei é a drástica redução da burocracia argentina. Em poucos meses, o novo Ministério da Desregulamentação conseguiu o que governos anteriores passaram décadas acumulando desculpas para não fazer: dez ministérios foram extintos, mais de 53 mil funcionários públicos foram demitidos e centenas de órgãos estatais foram fundidos

Além disso, leis e regulamentações foram eliminadas em ritmo acelerado. Foram 1.246 regulamentações em um ano, ou seja, em média pouco mais de três por dia. 

Energia, agricultura, mercado imobiliário, saúde, em todos os setores, estão sendo eliminados obstáculos desnecessários. Trata-se do processo de redução do Estado mais drástico em gerações. A “motosserra” representa o que os burocratas detestam e os empresários adoram, pois finalmente podem respirar novamente.

Livre comércio e reforma monetária

Milei abre a Argentina para o mercado mundial, ao invés de apostar na nostalgia protecionista do Mercosul. As barreiras à importação diminuíram, as quotas de importação foram ampliadas e estão em andamento negociações com os EUA sobre um acordo comercial bilateral. 

Ao mesmo tempo, Milei permanece firme em seu projeto mais difícil: a abertura para o dólar e a possibilidade de fechamento do banco central. Os argentinos devem escolher livremente em que moeda desejam poupar e trabalhar, uma liberdade que seu próprio governo lhes nega há décadas. Como e quando a reforma do dólar ocorrerá ainda é uma incógnita. Mas já é uma certeza que ela ocorrerá.

No final das contas, o governo de Milei conseguiu o que a Argentina não via há décadas: um orçamento equilibrado, inflação em queda e um ritmo de reformas que mais se assemelha ao de startups do que ao de estados

Do ponto de vista libertário, essa é uma correção há muito esperada. Um estado mais enxuto, com menos regulamentação e mais liberdade econômica, finalmente cria espaço para inovação e crescimento. A resistência dos grupos de interesse tradicionais permanecerá, mas os resultados das últimas eleições argentinas mostram que a maioria da população continua a apoiar este rumo.

Se Milei mantiver sua linha de ação, os próximos passos já estão definidos: reduções mais profundas de impostos, grandes ondas de privatizações e uma abertura séria ao dólar. 

Pela primeira vez em muitas décadas, a Argentina poderá se tornar o país mais livre e com a economia de mercado mais desenvolvida da América Latina. Isso não representaria apenas um progresso econômico, mas também um sinal político para o mundo inteiro: a liberdade funciona, se você a permitir funcionar.

Se a política não faz, então você deve fazer

E, enquanto tudo isso está claro diante de nós, o jornal alemão Süddeutsche, por exemplo, ainda consegue nos dizer que Milei não serve como modelo. Claro, a realidade é inconveniente quando não se encaixa na nossa visão de mundo. 

No entanto, a verdadeira questão é: por quanto tempo você ainda vai seguir um presidente que, no máximo, anuncia reformas, mas nunca as implementa? Quantos anos perdidos ainda serão necessários para você perceber que esperar não é uma estratégia? Vote com os pés, mudando sua residência para um país que está no caminho da prosperidade, de preferência ainda hoje.

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