Lucrar quando o embargo dos EUA acabar

Cuba voltou ao centro das atenções, mas não do jeito que investidores gostariam.
Desde 2025, a política dos EUA em relação à ilha voltou a endurecer. Em junho de 2025, a Casa Branca reeditou e fortaleceu a diretriz de pressão sobre Cuba; em janeiro de 2026, Trump declarou emergência nacional para impor tarifas a países que forneçam petróleo à ilha. O efeito disso apareceu rápido: colapso energético, escassez de combustível e uma economia ainda mais pressionada.
Agora o cenário ficou ainda mais delicado. Em março de 2026, Trump afirmou que teria a “honra de tomar Cuba”, enquanto a agência Reuters reportou que Washington e Havana abriram conversas em meio à crise, mas sem qualquer base pública clara para uma intervenção formal dos EUA. Ou seja: existe retórica de confronto, existe pressão econômica real, mas ainda não existe uma tese jurídica pública e consolidada para dizer que os EUA “vão entrar na ilha”.
Esse é o ponto que torna Cuba tão interessante… E tão perigosa. A ilha continua podendo gerar oportunidades assimétricas em setores como turismo, imóveis, infraestrutura e negócios privados.
Mas, hoje, qualquer tese séria de investimento precisa começar por uma pergunta mais dura: você está tentando antecipar uma abertura ou sobreviver a uma escalada?
Se quiser lucrar com Cuba, o momento não pede romantismo revolucionário nem euforia de “última fronteira”. Pede leitura política, proteção jurídica e muita disciplina para separar oportunidade de armadilha. Separe alguns minutos para entender tudo isso.
Fazendo um balanço da situação cubana

O estado socialista, que já dura há mais de 50 anos, trouxe muito sofrimento e destruição para a ilha. A maioria dos cubanos está presa no país e vive com severas limitações econômicas.
O salário de um médico gira em torno de US$ 100 por mês, e para trabalhadores comuns esse valor costuma ser ainda menor. Esse cenário se agravou nos últimos anos com inflação, escassez de produtos básicos e uma crise energética recorrente que tem levado a apagões frequentes em todo o país.
A educação e a assistência médica gratuitas não conseguem esconder a realidade: grande parte da população vive em condições bastante precárias, com acesso limitado a bens essenciais.
Para complementar a renda, muitos cubanos recorrem ao turismo, direta ou indiretamente. Atividades informais, como aluguel de quartos, transporte privado e serviços paralelos, acabam gerando uma economia paralela relevante. Em alguns casos, os ganhos de uma noite podem superar o salário mensal formal.
Isso criou uma divisão clara dentro da sociedade. Regiões turísticas e famílias com acesso à moeda estrangeira, especialmente aquelas que recebem remessas do exterior, vivem em condições muito diferentes do restante da população.
Essa dualidade é visível nas ruas: ao lado de carros antigos de mais de 50 anos e construções deterioradas, surgem imóveis reformados, voltados ao turismo, e até veículos modernos importados.
Nos últimos anos, esse contraste se intensificou.
Entre 2024 e 2026, Cuba entrou em uma das fases mais delicadas da sua história recente. A crise energética se aprofundou, com colapsos no fornecimento de eletricidade, enquanto a economia segue pressionada por sanções externas e baixa produtividade interna.
Do lado político, o cenário também voltou a endurecer. Após uma tentativa de flexibilização durante o governo Obama e ajustes pontuais no governo Biden, como a retomada de voos e programas familiares em 2022, os Estados Unidos voltaram a adotar uma postura mais rígida.
Em 2025, novas medidas reforçaram a pressão econômica sobre a ilha. Já em 2026, declarações mais agressivas por parte de Donald Trump aumentaram a tensão geopolítica, trazendo incerteza adicional sobre o futuro da relação entre os dois países.
Ao mesmo tempo, existe um movimento silencioso, mas relevante, acontecendo dentro de Cuba.
O governo passou a sinalizar maior abertura para capital externo e, principalmente, para cubanos que vivem fora do país, permitindo, por exemplo, a possibilidade de participação mais direta em negócios locais.
Isso cria um cenário paradoxal. Cuba está, ao mesmo tempo:
- Mais fragilizada economicamente
- Mais pressionada politicamente
- E potencialmente mais aberta a mudanças estruturais
É justamente essa combinação que torna o país tão particular e importante para se ter atenção. Para alguns, isso representa risco elevado. Para outros, uma oportunidade rara.
As oportunidades de investimento em Cuba continuam existindo, especialmente em setores como turismo, imóveis e negócios locais. Mas, diferente do que se imaginava anos atrás, hoje elas exigem uma leitura muito mais cuidadosa.
Cuba pode não se tornar uma “nova China”. Mas, para quem entende os riscos e o timing, ainda pode ser um caso interessante.
A diferença é que, agora, não se trata apenas de antecipar uma abertura. Trata-se de entender quando, e em que condições, ela pode realmente acontecer.
E o embargo dos EUA?
Investir em Cuba: isso ainda é possível?
Cuba continua sendo um dos maiores anacronismos do mundo ocidental.
A menos de 100 km ao sul de Miami e ao leste de Cancún, existe uma ilha do tamanho da Áustria e da Suíça juntas. A maior ilha do Caribe, com mais de 11 milhões de habitantes, conhecida por salsa, rum, charutos… e por um sistema político que parece congelado no tempo.
Durante anos, a lógica foi simples: Cuba estava “presa” por um embargo histórico dos Estados Unidos e, quando esse embargo caísse, a ilha poderia passar por uma reprecificação econômica rápida.
Mas 2026 trouxe uma realidade diferente. O embargo ainda existe, e, mais do que isso, voltou a ganhar força política.
Depois de uma tentativa de aproximação no governo Obama e flexibilizações pontuais no governo Biden (como a retomada de voos e programas familiares em 2022), o cenário voltou a endurecer com os EUA de Donald Trump. Isso significa que o “fim do embargo” deixou de ser uma expectativa linear. Hoje, o cenário é mais complexo, pois o embargo continua vigente, a pressão econômica aumentou e o risco político voltou a crescer.
Ao mesmo tempo, existe um movimento interessante acontecendo dentro da própria Cuba.
Diante da crise econômica e energética, o país começou a sinalizar maior abertura, especialmente para capital estrangeiro e para cubanos que vivem fora da ilha, permitindo uma participação mais ativa em negócios locais.
Ou seja, Cuba não é mais apenas uma aposta no fim do embargo. É um cenário onde abertura econômica e tensão política caminham lado a lado.
E é exatamente isso que torna a pergunta mais relevante hoje: Investir em Cuba ainda faz sentido?
Investir em Cuba: as oportunidades e os riscos
Quer saber se ainda dá tempo de aproveitar o que Cuba pode trazer de melhor sobre retorno financeiro? Então, você deve considerar as seguintes oportunidades e riscos ao investir em Cuba:
Embargo econômico dos EUA e cenário político atual
Durante anos, o levantamento do embargo foi tratado como uma questão de tempo. Hoje, essa leitura mudou. O embargo continua vigente e, nos últimos anos, voltou a ganhar força política. Entre 2024 e 2026, os Estados Unidos reforçaram a pressão econômica sobre a ilha, e declarações mais duras voltaram a aumentar a incerteza geopolítica.
Cuba segue sobrevivendo apesar das restrições, mas a abertura deixou de ser um evento previsível e passou a depender de fatores políticos mais voláteis.
Mais eficiência e crescimento através da abertura da economia
A necessidade de abertura econômica continua existindo e ficou ainda mais evidente com a crise recente.
A escassez de energia, inflação e baixa produtividade pressionaram o governo a buscar alternativas. Isso tem levado a pequenas flexibilizações e maior tolerância ao setor privado, mas ainda de forma limitada e gradual.
Mais investimento estrangeiro através de ajustes regulatórios
A lei de investimento estrangeiro continua sendo um sinal de abertura, mas o movimento recente é mais pragmático do que estrutural.
Diante da crise, o governo passou a sinalizar maior interesse em atrair capital externo. Ainda assim, o ambiente de investimento permanece restrito e com desafios operacionais relevantes.
Zonas Econômicas Especiais
A Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel continua sendo uma das principais apostas do governo para atrair investimento estrangeiro. Os incentivos fiscais permanecem competitivos com um imposto de 0% pelos primeiros 10 anos e de 12% pelos 10 anos seguintes para empresas instaladas na zona.
Mas o desenvolvimento da zona tem avançado mais lentamente do que o esperado, refletindo as dificuldades estruturais da economia cubana.
Turismo: potencial alto, mas recuperação irregular
O turismo segue sendo um dos pilares da economia cubana, mas o cenário atual é mais instável do que no passado. Nos anos passados, após a reaproximação parcial com os EUA, houve um aumento no fluxo de visitantes, incluindo americanos.
No entanto, entre 2024 e 2026, o setor voltou a sofrer com restrições, crise interna e problemas de infraestrutura. A demanda continua existindo, mas a recuperação tem sido irregular, o que mantém o potencial, mas aumenta o risco no curto prazo.
3 maneiras de lucrar em Cuba
Depois de tudo isso, você quer lucrar investindo em Cuba? Então, você deve olhar mais de perto para as três áreas de negócios que vamos te mostrar agora. Os dois primeiros são provavelmente os únicos em que Cuba tem atualmente uma vantagem comparativa sobre outras nações.
Charutos
É lógico. Não só a marca registrada de Fidel Castro antes de deixar de fumar, o Cohiba, é uma das coisas associadas à Cuba.
Especialmente na região mais ocidental da ilha, Pinar del Rio, é produzido tabaco e são enrolados charutos finos. Os bons charutos são caros e você não os encontra e consome em qualquer lugar.
Cuba produz mais de 100 milhões de charutos por ano. Charutos cubanos podem funcionar como um ativo alternativo baseado em escassez, marca e tempo.
O investimento não está na produção em Cuba, mas na aquisição estratégica de caixas premium, como Cohiba, Montecristo ou edições limitadas e no envelhecimento adequado em humidors controlados.
Com o passar dos anos, esses charutos tendem a se valorizar, especialmente quando bem conservados e de linhas raras, podendo ser revendidos em mercados internacionais com alta demanda. É uma lógica parecida com vinhos de coleção: exige cuidado, paciência e conhecimento, mas pode gerar ganhos interessantes para quem entende o timing e a qualidade do produto.
Bens imobiliários
Os imóveis em Cuba entram como uma tese de investimento baseada em reprecificação futura. Hoje, a crise econômica, a escassez de energia e a pressão externa, especialmente dos EUA, mantêm os preços relativamente baixos e o mercado travado. Isso cria um cenário típico de ativos subvalorizados: pouco capital, baixa liquidez e alto risco.
Mas é justamente nesses momentos que alguns investidores começam a se posicionar, apostando que uma eventual abertura econômica ou flexibilização política pode destravar valor rapidamente, principalmente em regiões turísticas como Havana, Varadero e Trinidad.
Investir em imóveis em Cuba não funciona como em outros países. Estrangeiros não têm acesso livre à propriedade direta, e grande parte das operações envolve estruturas indiretas, como parcerias com residentes locais, contratos de usufruto ou participação em negócios ligados ao turismo, como casas de hospedagem (casas particulares).
Muitos imóveis são reformados e alugados para turistas, gerando renda em moeda forte. Além disso, famílias que recebem remessas do exterior já operam nesse modelo há anos, o que mostra que existe uma economia paralela funcionando, mesmo com as limitações legais.
Infraestrutura
A situação da infraestrutura é semelhante à do setor imobiliário. Se o governo aprovar um novo capital e ideias do exterior, há muitas oportunidades para investir em Cuba.
A ilha enfrenta gargalos claros em energia, transporte, telecomunicações e hotelaria e isso tende a atrair capital externo sempre que há algum nível de abertura. Esse tipo de investimento não acontece comprando ativos diretamente, mas por meio de parcerias com o Estado cubano, joint ventures em projetos estratégicos (como na Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel) ou exposição a empresas estrangeiras que já operam ou pretendem operar nesses setores.
Quando há avanço nessas frentes, os retornos podem vir da valorização dos ativos, contratos de longo prazo e demanda reprimida sendo destravada. A necessidade urgente de modernização da infraestrutura pode gerar um ciclo de investimentos acelerado, com oportunidades em energia (especialmente renováveis), logística portuária e turismo.
Por outro lado, esse é um tipo de investimento que exige estrutura, capital e tolerância a risco elevado, já que depende de estabilidade regulatória e previsibilidade institucional, pontos ainda frágeis em Cuba.
Por isso, a estratégia mais comum é se posicionar de forma indireta e seletiva, buscando exposição a projetos ou empresas com maior proteção jurídica e ligação com fluxos internacionais de capital.
Investir em Cuba: arriscado, mas com altas oportunidades de retorno
Mesmo com tanta acontecendo entre os Estados Unidos e a ilha, o investimento em Cuba ainda apresenta possibilidades de retorno para quem sabe dos riscos.
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