Abrindo Empresas no Exterior: 3 Estudos de Caso de Internacionalização de Empresa

Saber onde crescer é grande parte da estratégia
Atualmente, manter uma empresa no Brasil virou um exercício constante de adaptação.
Você pode ter o produto ideal, com o mercado ali, pronto para ser explorado, e finalmente, depois de muito trabalho, ver os lucros começarem a aparecer.
Mas, no momento em que você começa a respirar aliviado, sai a notícia da criação de mais um imposto ou uma regulamentação nova, que obriga você a parar tudo, revisar sua estratégia e, pior, descobrir como minimizar os impactos de uma carga tributária crescente.
Para muitos empresários, essa rotina parece inevitável, quando, na realidade, existe uma maneira de quebrar este ciclo: expandir para o exterior.
A simples escolha de não operar em apenas uma jurisdição pode ser a chave para a sua empresa não se ver refém da insegurança jurídica brasileira.
O mundo hoje é um mercado de jurisdições, onde cada país oferece suas vantagens. Enquanto o Brasil enfrenta um ciclo de altos impostos e burocracia crescente, onde o governo parece estar sempre contra o empreendedor, outras jurisdições se apresentam como ambientes mais favoráveis para crescer, investir e escalar.
E aí, aos poucos, a questão muda de "como posso crescer no Brasil?", para "onde posso crescer de forma mais eficiente?"
Pensando nisso, esse artigo vai te mostrar 3 estudos de caso em que a expansão internacional de empresas trouxe diferentes benefícios para empreendedores que optaram por estruturar seus negócios fora do Brasil.
Quando faz sentido expandir (3 estudos de caso)
Caso 1: Quando o problema não é crescer, mas continuar crescendo no Brasil

Situação
Marco é um empreendedor experiente e único detentor da licença de master franquia de uma rede global no Brasil.
Ao longo de mais de dez anos, construiu uma operação sólida:
- mais de 50 subfranquias ativas;
- cerca de R$ 15 milhões por ano em receita, vindos de taxas de associação e produtos de marca própria.
Mas, com a atual reforma tributária em curso, Marco passou a enfrentar uma carga tributária pessoal e corporativa próxima de 28%, com pouca margem para compensações. E como master franqueador, estava no ponto mais exposto da cadeia:
- recebia os pagamentos das unidades,
- remetia royalties ao exterior (sujeitos a 24% de retenção na fonte + 10% de CIDE),
- absorvia impostos em cascata distribuídos por várias entidades.
Além disso, como parte relevante do faturamento vinha de um braço de produtos físicos importados da China, os impostos de importação brasileiros eram praticamente 3x o custo final, tornando a linha pouco competitiva e, em alguns casos, inviável.
O negócio funcionava. A jurisdição não.
Solução
Marco entendeu que o problema não era vender mais, mas que não dava para continuar crescendo dentro da mesma estrutura.
Assim, iniciou o processo de residência no Paraguai e passou a estudar o regime de Maquila para manufatura e montagem.
Também estava disposto a reorganizar sua residência fiscal, reduzindo a permanência no Brasil, desde que isso:
- preservasse patrimônio;
- reduzisse exposição tributária;
- e abrisse espaço para crescimento sustentável.
A estratégia adotada foi uma reestruturação internacional em múltiplas camadas, incluindo:
- saída fiscal do Brasil e mudança da residência para uma jurisdição de tributação territorial, eliminando a incidência de IRPF sobre renda mundial;
- reposicionamento da entidade da master franquia em uma jurisdição com tratados mais eficientes, reduzindo a tributação corporativa sem perda de controle operacional ou da propriedade intelectual;
- uso da lei de Maquila do Paraguai para importar componentes da China, montar localmente e reexportar ao Brasil, reduzindo drasticamente o custo final dos produtos;
- criação de um hub de serviços compartilhados no Paraguai, centralizando back-office, suporte aos franqueados e abrindo espaço para expansão regional na América Latina.
Como resultado teve uma redução de cerca de 70% na carga tributária total.
Mais do que economia fiscal, Marco deixou de operar de forma defensiva e passou a usar a estrutura internacional desenvolvida como plataforma de crescimento, alinhada ao seu estilo de vida de viagens constantes entre mercados onde a franquia atua.
Caso 2: Quando a mudança de país quase dobrou o lucro do negócio

Situação
Rogério é dono de uma empresa de educação digital. O modelo é simples e validado: cursos vendidos em plataformas online e consultorias diretas para alunos mais avançados.
A empresa faturava cerca de R$ 2 milhões por ano. No papel, parecia um ótimo negócio. Na vida real, a margem mostrava o problema: cerca de 18% de lucro líquido, algo em torno de R$ 360 mil anuais.
Grande parte desse resultado era consumida pela carga tributária brasileira. Somando impostos sobre faturamento e lucro, o custo anual girava em torno de R$ 300 mil.
O produto funcionava. O mercado existia. O problema estava na jurisdição onde a empresa operava.
Solução
Rogério decidiu transferir a base da empresa para o Paraguai.
Com a nova estrutura, a empresa passou a ser tributada pelo imposto corporativo paraguaio: 10% sobre o lucro real. Sobre um lucro anual de R$ 360 mil, o imposto devido passou a ser de aproximadamente R$ 36 mil.
Os impostos sobre faturamento pagos no Brasil (cerca de R$ 300 mil por ano) deixaram de existir. No total, a carga tributária anual caiu para cerca de R$ 66 mil, o que representa uma alíquota efetiva de aproximadamente 3,3% sobre um faturamento de R$ 2 milhões.
O impacto foi direto: o lucro anual saltou de R$ 360 mil para R$ 594 mil, uma alta de cerca de 65%, sem vender mais, sem mudar preços e sem alterar o modelo de negócio.
Benefícios adicionais da nova estrutura:
- compra de equipamentos eletrônicos a custos significativamente menores;
- redução de cerca de 20% no custo de vida pessoal do proprietário;
- possibilidade de a empresa adquirir um imóvel de cerca de R$ 594 mil para substituir aluguel de escritório e estúdio, reduzindo o lucro contábil para R$ 84 mil e o imposto anual para apenas R$ 8,4 mil;
- eliminação da exposição à reforma tributária brasileira.
O resultado não veio de um benefício específico, mas de uma jurisdição pensada para atrair empresas, talentos e patrimônio de forma estrutural.
Caso 3: Quando o imposto deixa de ser um fator de decisão

Situação
Pedro é um consultor brasileiro que, há alguns anos, se tornou residente fiscal em Portugal. Ele atende clientes empresariais em diferentes países, trabalha de forma remota e passa boa parte do ano viajando.
O negócio ia bem. A demanda era consistente, os contratos eram recorrentes e a operação era enxuta. O problema começou a aparecer na pessoa física: a carga tributária sobre pró-labore e dividendos passou a consumir uma parcela relevante do resultado.
Pedro não buscava um paraíso fiscal nem uma estrutura artificial. O que ele queria era simples, embora difícil de encontrar:
- um país onde a renda empresarial e os dividendos não fossem penalizados na pessoa física,
- uma empresa reconhecida internacionalmente,
- e responsabilidade pessoal limitada.
Havia ainda um ponto inegociável: qualquer solução precisaria envolver residência fiscal real. “Morar no papel” não era uma opção.
Solução
A estrutura escolhida foi a abertura de uma empresa na Zona Franca nos Emirados Árabes Unidos, combinada com a transferência da residência fiscal para o país.
Nos Emirados Árabes Unidos:
- não existe imposto de renda da pessoa física.
- e salários, rendimentos de investimentos e dividendos recebidos por um residente fiscal não entram em nenhuma base de IR pessoal.
A empresa passou a operar em uma Zona Franca que, ao cumprir os critérios exigidos, permanece fora do escopo do imposto corporativo de 9%, aplicável apenas quando o faturamento anual excede 1 milhão de AED.
O IVA de 5% teve impacto limitado no modelo de negócio, já que a maior parte dos serviços era prestada para clientes internacionais.
Com a abertura da empresa, Pedro também obteve o visto de residência nos Emirados, deixando de ser tributado a nível pessoal sobre pró-labore, dividendos e rendimentos financeiros.
Para manter a residência fiscal, passou a cumprir o requisito de 183 dias de permanência, algo compatível com seu estilo de vida e agenda profissional, já que Dubai faz parte frequente de sua rota de viagens e era bom para seu networking.
O resultado não foi apenas redução de impostos, mas segurança jurídica no longo prazo.
Nesse caso, a expansão internacional não foi sobre “pagar menos”, mas sobre escolher um país onde o sistema não penalize quem produz, investe e reinveste capital.
6 erros mais comuns de quem não faz um planejamento antes de expandir

Depois de ver exemplos de expansões internacionais bem executadas, um ponto fica claro: os erros quase nunca estão na intenção, mas na estrutura.
Na realidade, os problemas mais caros surgem quando decisões complexas são tomadas com base em recortes incompletos, experiências alheias ou promessas genéricas.
Abaixo listamos erros que aparecem com frequência, inclusive em empresas grandes e lucrativas.
- Escolher a jurisdição antes de entender o empreendimento
Muitos empresários começam pelo país “da moda”, e só depois tentam encaixar o negócio. Isso leva a estruturas desalinhadas com o modelo operacional, como no caso do Fabrício, que mudou de residência, mas manteve a empresa no lugar errado.
Jurisdição não é ponto de partida. É consequência da estratégia.
- Focar apenas em reduzir imposto e ignorar o resto
Reduzir imposto é importante, mas não é o único fator decisivo.
Estruturas que ignoram:
- retenções na fonte,
- tratados internacionais,
- fluxo real de dinheiro,
- ou impacto operacional, costumam gerar retrabalho e custo oculto.
No Caso 1, o problema não era “pagar muito imposto”, mas estar exposto em todos os pontos da cadeia.
- Misturar residência pessoal e estrutura da empresa sem coerência
Um erro comum é mudar a residência fiscal sem ver a compatibilidade com a residência fiscal da empresa, ou o contrário.
Isso cria situações em que:
- o país da empresa tributa,
- o país da pessoa tributa,
- e nenhum reconhece plenamente a estrutura.
O resultado é a bitributação, mesmo quando o sistema permitiria eficiência.
- Criar estruturas frágeis, que só funcionam “no papel”
Holdings sem função própria, empresas sem substância, residências sem presença efetiva. Essas estruturas até podem funcionar no curto prazo, mas quebram no primeiro questionamento bancário, fiscal ou regulatório.
O Caso 3 deixa isso claro: o benefício só existe quando a residência e a empresa estão bem sustentadas diante das autoridades.
- Subestimar retenções, impostos na fonte e impostos “na saída”
Muitos cálculos ignoram:
- retenções sobre dividendos,
- impostos na remessa de royalties,
- ou custos para mover ativos entre países.
- Copiar estruturas que funcionam para outros
O que quase sempre dá errado: “Fulano fez isso e deu certo, então vou fazer igual.”
Cada negócio tem:
- fluxo de receita diferente,
- tipo de cliente diferente,
- apetite a risco diferente,
- e objetivos distintos.
Conclusão
Os quatro casos mostram que não existe país ideal, existe estrutura adequada ao contexto.
Em nenhum deles o problema era falta de crescimento, falta de mercado ou falta de produto. O problema estava em onde o negócio estava estruturado e em como decisões importantes eram tomadas sem uma visão completa do sistema.
Expandir internacionalmente não é, necessariamente, sobre pagar menos imposto.
É sobre reduzir risco regulatório, organizar melhor o fluxo de capital, proteger patrimônio e criar um ambiente onde a empresa consiga crescer sem precisar se reinventar a cada mudança de regra.
Se este artigo fez você repensar onde faz sentido estruturar sua empresa, vale saber que não existe solução padrão.
Cada negócio tem um perfil diferente, uma origem de receita diferente e objetivos distintos de crescimento, investimento e proteção patrimonial.
Na Settee, ajudamos empresários a analisar essas variáveis de forma integrada: empresa, residência, fluxo de dinheiro, tributação, risco e expansão no longo prazo.
Se você ainda tem dúvidas sobre qual caminho faz mais sentido para o seu negócio, a Consultoria de Expansão Internacional pode ajudar.
Nela, entendemos seu momento e o da sua empresa, avaliamos cenários possíveis e apontamos estruturas coerentes com seus objetivos, sem atalhos e sem promessas fáceis.
Porque expansão internacional é escolher melhor onde o seu capital cresce e como fazer o seu negócio, assim como a sua vida, trabalhar a seu favor.
Porque a sua vida te pertence.




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