Como Reduzir Impostos Retidos na Fonte Sobre Dividendos Através de Acordos de Não-bitributação

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19 min
Publicado em:
14/3/2022
Última Atualização em:
30/9/22
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Temas Abordados Neste Artigo

Introdução

Evidentemente, mudar a sua residência para um país onde você não paga impostos sobre sua renda é o primeiro passo para uma vida livre de impostos.

Porém, dependendo do modelo de negócios e os países onde os sócios residem, às vezes não é suficiente porque nos encontramos em certos casos com retenções em dividendos.

Qualquer pessoa que tenha uma sociedade de capital deve saber o que são as retenções e como evitá-las, por isso hoje vamos dedicar um artigo a esse assunto.

Para quem os impostos retidos na fonte são importantes?

Nem todas as empresas precisam lidar com retenção de dividendos. Na verdade, esse tipo de retenção afeta exclusivamente as sociedades de capital.

As partnerships (sociedades de pessoas) e os empreendedores individuais (freelancers) não são afetados porque as suas empresas não constituem uma entidade jurídica separada e, portanto, não podem distribuir dividendos. Nesses casos, a renda é distribuída proporcionalmente entre os membros e tributada de acordo com os tipos de imposto de renda onde residem.

Assim, o imposto retido na fonte é o segundo fator tributário mais importante em uma sociedade de capital, depois do imposto corporativo ou industrial.

A aplicação (ou não) da retenção na fonte depende do:

  • Tipo de receita
  • Da jurisdição onde a empresa está localizada
  • Da jurisdição onde o recipiente está localizado

Em geral, o imposto retido na fonte é limitado a três categorias bastante amplas de receita:

  • Juros
  • Dividendos
  • Royalties

Os dividendos podem ser classificados em dividendos diretos no quadro de grandes participações em empresas (geralmente, com ações de 5 a 10%) e dividendos em ações. A diferença reside na retenção na fonte aplicável oriunda dos acordos de não-bitributação, também conhecidos como acordos de dupla tributação.

Por via de regra, as ações grandes em empresas têm mais vantagens do que as ações menores, de acordo com os acordos de não-bitributação.

Já escrevemos sobre o uso de acordos de não-bitributação para traders. Neste artigo, vamos nos concentrar na distribuição de lucros por meio de dividendos para ações significativas (mais do que 5-10% e, em alguns casos, até mais de 25%).

Quem tem acesso aos acordos de não-bitributação?

Como já mencionamos, há possibilidades de reduzir a retenção por meio dos acordos de não-bitributação. Esses acordos têm várias funções, mas, como o nome sugere, têm o objetivo de evitar de impostos serem cobrados duas vezes sobre a mesma receita.

Dado que são aplicadas retenções na fonte à entrada e também à saída do dinheiro de uma jurisdição, lidamos com a possibilidade de, dependendo dos países por onde passa o dinheiro, estar sujeito a dupla ou mesmo tripla tributação.

Os acordos de não-bitributação regulam qual parte de determinado tipo de imposto cada estado deve cobrar. Em geral, esses acordos reduzem o valor da retenção na fonte, de modo que a pessoa só precisa pagar no país de residência.

Qualquer pessoa ou empresa pode usar esses acordos, mas para isso é preciso provar sua residência fiscal.

Em outras palavras, para fazer uso desses acordos, o indivíduo geralmente precisa de uma certidão de residência fiscal, que só é emitida após ter residido no país por seis meses (com algumas exceções, como o Chipre, por exemplo).

Isso é feito para que ninguém possa aproveitar as vantagens dos acordos de não-bitributação e obter vantagens que não foram originalmente oferecidas. A exigência de permanência mínima de 183 dias para recebimento da certidão fiscal garante que cada pessoa só poderá utilizar um desses acordos.

Imagem de uma caneta e calculadora sobre contas de impostos

Um detalhe que muitas vezes as pessoas não entendem é que, mesmo sem uma certidão fiscal, você talvez tenha que pagar impostos (como um não-residente).

Ser tributável em um país nem sempre significa que você deve apresentar uma declaração de imposto de renda nesse país, e ter um número de identificação fiscal não significa necessariamente que você seja tributável.

No caso de pessoas sem residência fiscal (como viajantes perpétuos), não se pode contar com nenhum acordo de bitributação; você pelo menos não pode fazer isso num nível privado.

Nestes casos, pode-se recorrer à possibilidade de utilizar os acordos de não-bitributação de empresas.

Nesse caso, para poder validar esses acordos, a empresa terá que ter um estabelecimento comercial no país: ou seja, deve ter pelo menos alguma substância econômica (pelo menos um pequeno escritório e um funcionário).

Não podem fazer uso desses acordos a nível de pessoa jurídica:

  • Sociedades pessoais (LP, LLC, etc.)
  • Trabalhadores autônomos (freelancers)

No máximo, eles poderiam usá-los de forma individual em seu país de residência.

As empresas puramente offshore sem escritório ou funcionários locais estão, obviamente, excluídas do uso de acordos de não-bitributação.

Exemplo: redução do imposto retido na fonte de uma sociedade limitada portuguesa (LTDA)

Aqui, temos dois exemplos para melhor compreender a interação entre a retenção de dividendos na fonte e os acordos de bitributação.

Gabriel tem uma LTDA portuguesa e emigra para a Costa Rica. Ele agora está convencido de que, após esse procedimento, poderá esquecer para sempre o fisco português, que não cobrará mais impostos sobre seu salário e dividendos.

Do lado da Costa Rica, tudo está funcionando sem problemas. Mas Gabriel não planejou a responsabilidade fiscal como um não-residente em Portugal. Ele também não levou em consideração o imposto retido na fonte sobre os dividendos.

Antes que os dividendos cheguem, a LTDA terá que reter uma boa parte: 25% são retidos na fonte para dividendos distribuídos a não-residentes.

Gabriel não conseguirá evitar ou reduzir essa retenção, porque existem dois problemas principais na Costa Rica.

  1. Em primeiro lugar, como acontece com outros países com baixa pressão fiscal, a Costa Rica não tem muitos acordos de não-bitributação, de modo que com Portugal não existe acordo (mas se Gabriel tivesse sua empresa no México ou na Espanha, por exemplo, existiria um acordo de não-bitributação).
  2. Em segundo lugar, embora Gabriel tenha residência fiscal na Costa Rica devido à sua residência permanente (apenas sobre os rendimentos obtidos no país), ele só pode obter uma certidão de residência fiscal para usar os acordos de não-bitributação da Costa Rica (com Alemanha, México e Espanha) após uma estadia mínima de 183 dias.

Assim, após buscar a consultoria da Settee decide ir para o Chipre. Gabriel só precisa passar 60 dias no Chipre para obter uma certidão fiscal, o que parece razoável para ele.

Mudar sua residência fiscal para o Chipre desde o início teria dado maiores vantagens pois no Chipre não é necessário pagar impostos sobre dividendos, uma vez que ele está registrado como non-dom.

O acordo de não-bitributação entre Chipre e Portugal reduz a retenção de dividendos de 25% para 10%.

No entanto, Gabriel ainda acha que 10% é muito, então o que ele faz é vender suas ações da LTDA portuguesa para a sociedade cipriota que ele criou para, então, poder pagar por uma residência permanente no Chipre.

Como residente no Chipre, assim como na Costa Rica, você não é obrigado a pagar impostos sobre a venda de suas ações.

Uma vez que é a empresa cipriota que detém as ações da LTDA, entra em jogo a diretiva matriz-subsidiária da União Europeia, segundo a qual os lucros podem ser transferidos para a empresa-matriz sem qualquer tipo de retenção na fonte. 

Para poder usufruir destas vantagens na UE, as empresas coligadas têm de cumprir determinados requisitos. Os maiss importantes são que:

  • A empresa matriz tenha no mínimo 5 a 10% das ações da subsidiária
  • Haja um período mínimo de participação de 12 a 24 meses.

O exemplo de Gabriel mostra uma das muitas possibilidades de otimizar a retenção de dividendos.

Se você tem interesse em empresas localizadas em países com forte pressão fiscal, esse assunto é algo a se considerar.

Reduzindo retenções usando acordos de não-bitributação

Os acordos de não-bitributação entram em vigor especialmente quando uma subsidiária ou a empresa-matriz tem sede em um país fora da UE ou do EEE, uma vez que, nesses casos, não temos a diretiva matriz-subsidiária.

Tomemos como exemplo Hong Kong, um local muito popular para empresas.

  • Se uma sociedade anônima alemã (GmbH), para seguir o exemplo anterior, adquirir ações de uma empresa de Hong Kong, ela pagará os dividendos retidos na fonte na Alemanha no momento da distribuição dos lucros.
  • Por outro lado, a Áustria assinou um acordo de não-bitributação com Hong Kong, de modo que a participação nos lucros de uma sociedade anônima austríaca é tributada apenas 15% em vez de 27%.

Isso se aplica sob a condição de que a empresa de Hong Kong tenha um estabelecimento comercial real e não opere como uma mera empresa offshore.

É interessante que países muito similares possam apresentar combinações ideais muito diferentes:

  • Se a filial com participação acionária significativa estivesse em Singapura em vez de Hong Kong, a Alemanha seria mais atraente do que a Áustria, com um imposto de 0% contra os 5% desta última.
  • Já a Áustria tem retenção de 0% quando os dividendos vêm de vários países árabes, como o Qatar e Bahrein, com os quais a Alemanha não tem acordo, caso em que o imposto integral é pago.

Para aqueles que tem alguma relação com os Estados Unidos, a situação é diferente. Aqui, nos encontramos com uma enorme taxa de retenção de 30% nos Estados Unidos.

  • Essa é terrível para quem mora em países latino-americanos, já que os únicos deles que tem acordo de não-bitributação com os EUA são o México e a Venezuela.
  • Porém, aqueles residentes ou com empresas principalmente em países asiáticos ou europeus podem se beneficiar de acordos vantajosos. Na maioria dos tratados, a retenção na fonte é reduzida a 15%, e em alguns casos 10% como na Romênia, Bulgária, China, Rússia e Japão. 

Dependendo do arranjo entre países, o acordo de não-bitributação pode ser mais ou menos favorável.

Justamente uma das principais tarefas das equipes fiscais de grupos internacionais é estruturar esses arranjos de forma otimizada, otimizando as compensações internas dentro do grupo de empresas (Transfer Pricing).

As receitas devem ser tributadas onde o imposto corporativo for menor e, se ameaçarem uma alta retenção na origem, devem ser transferidas para outros países a fim de minimizá-las.

Em alguns casos, esse processo pode exigir mais de dois países, como no caso do “Double Irish Dutch Sandwich”, que foi noticiado pela mídia em relação aos impostos da Apple e de outras empresas americanas. 

Claro, caso você queira copiar o truque deles, lembre-se de que isso não é mais possível (pelo menos na Irlanda e da forma em que foi feito), pois a União Europeia já corrigiu esse “problema”.

Critérios para a constituição de sociedades de capital

No entanto, o empresário individual ou mesmo o autônomo também pode aproveitar os acordos de bitributação em seu benefício, como vimos no exemplo do Gabriel.

De qualquer forma, todo investidor ou empresário sério deve ter uma sociedade de capital, pois com ela poderá otimizar a longo prazo sua carga fiscal no que diz respeito às retenções de dividendos em caso de mudança de residência.

Nestas sociedades de capital, devem ser levados em conta os seguintes pontos:

Retenção nula ou baixa na fonte

Idealmente, a empresa matriz também não terá que fazer deduções e poderá distribuir os dividendos isentos de impostos nos casos que envolvam residência pessoal adequada.

Se fosse necessário pagar impostos sobre os dividendos no país de residência pessoal, seria imprescindível buscar uma nova jurisdição para a empresa que permitisse manter os impostos no mínimo.

Acordos de não-bitributação

Em geral, a existência de acordos de não-bitributação deve ser avaliada positivamente e não acarreta desvantagens (se não levarmos em conta a troca de informações e assistência mútua entre autoridades).

No entanto, o importante aqui não é que existam muitos acordos assinados, mas que sejam de boa qualidade e que você possa utilizá-los a favor do seu negócio no presente e no futuro. 

Como isso nem sempre pode ser previsto, existe a possibilidade de otimizar a estrutura a longo prazo com as holdings intermediárias, que dão acesso a acordos diferentes dos da empresa matriz.

Diretiva da UE sobre empresas matriz e subsidiárias

Acima de tudo, as holdings intermediárias fazem sentido dentro da União Europeia porque podem se beneficiar da referida diretiva matriz-subsidiária.

Por esta razão, é geralmente recomendado que a holding principal esteja sediada em um país da UE, pois, graças à diretiva sobre empresas matriz e subsidiárias, as holdings intermediárias de 30 outros países podem ser usadas de maneira ideal com seus próprios acordos de não-bitributação.

Regime de holding 

A maioria dos lugares mais interessantes para a constituição de holdings têm leis que conferem certos privilégios às mesmas.

De um modo geral, isso significa que:

  • As ações podem ser vendidas com isenção de impostos
  • Os dividendos podem ser transferidos com impostos reduzidos (ou isentos)

A possibilidade de vender a subsidiária isenta de impostos é um dos motivos centrais para a constituição de uma holding no caso de muitos empresários e investidores.

Imposto corporativo baixo

A holding não precisa ser uma empresa operacional, mas pode ser. Geralmente as holdings podem continuar a usufruir do regime de holding mesmo que sejam utilizadas como empresas operativas; há muitos poucos países nos quais isso não ocorre.

Apesar disso, o normal é ter uma holding que trate apenas de administrar as demais empresas do grupo e receber o fluxo de dinheiro.

A holding geralmente cobra das afiliadas por tarefas administrativas, transferências de direitos intelectuais ou outros serviços oferecidos às suas subsidiárias.

Claro que isso deve ser feito tendo em conta os preços habituais no mercado (preços de transferência ou transfer pricing) e é importante poder provar que tudo é real e faz sentido.

Ao faturar as subsidiárias, os lucros podem ser reduzidos nos casos em que pagam impostos corporativos elevados. A holding pagará, então, impostos corporativos sobre o que for faturado - impostos que, se tivermos escolhido corretamente, serão nulos ou muito baixos.

Tributação de lucros no mercado de ações e ganhos de capital

Dado que as holdings tendem a ser responsáveis pela gestão dos ativos das suas subsidiárias, é aconselhável ter em conta a forma como pagam os impostos sobre os ganhos de capital.

Imagem de dólares espalhados

Em muitos países, as sociedades de capital desfrutam de privilégios fiscais em termos de benefícios de gestão de patrimônio e não pagam (ou pagam muito poucos) impostos corporativos sobre ganhos de capital.

Regras de CFC

As regras de CFC (Controlled Foreign Companies) atingem não só as pessoas físicas, mas sobretudo as sociedades de capital.

Esses regulamentos limitam o uso de paraísos fiscais para otimização fiscal. Pretende-se, no mínimo, dificultar a utilização de empresas de fachada, podendo usufruir de vantagens fiscais apenas se tiverem um estabelecimento real no país de destino.

As regras de CFC afetam principalmente a renda passiva (gestão de ativos e taxas de licença).

Outros aspectos

Há muitos aspectos adicionais a serem levados em consideração ao escolher a localização de uma holding. Mas estes são relevantes especialmente para grandes grupos, por exemplo, a possibilidade de transferência de perdas, amortizações, etc.

Além disso, os custos de manutenção podem ser um fator a ser levado em consideração, embora as diferenças sejam pequenas em relação à importância dos demais pontos.

Para os propósitos do leitor típico da Settee, os seis aspectos discutidos acima são suficientes.

As melhores jurisdições para holdings de ações

Agora, resta apenas a última pergunta: onde devemos estabelecer a holding?

Não existe uma localização perfeita para a holding, mas existem diferentes países que são especialmente indicados para ser a sede da matriz, pois atendem de forma otimizada aos seis aspectos mencionados.

Estas são jurisdições na UE sem imposto retido na fonte.

Outros, por outro lado, oferecem a possibilidade de criar holdings intermediárias úteis. Em geral, são empresas da UE com retenção na fonte ou empresas fora da UE, mas com acordos de não-bitributação vantajosos.

A seguir, observaremos todas essas informações mais detalhadamente.

Holdings no Chipre

O Chipre é uma das opções mais populares ao escolher um local para a holding.

Quase todos os russos que investem na Europa, mas também muitos outros empresários, utilizam holdings no Chipre para otimizar os seus investimentos em relação à retenção de impostos.

No final das contas, o Chipre tem muitas vantagens:

  • Como um país da UE, pode aproveitar a diretiva sobre empresas-matriz e subsidiárias
  • Possui muitos bons acordos de não-bitributação
  • Tem um imposto corporativo baixo de 12,5%,
  • Há muitos ganhos de capital que não são tributados (não incluídos forex e criptos)
  • Não possui retenções na fonte para dividendos

O Chipre tem regras de CFC a nível corporativo, mas estas podem ser facilmente evitadas. Além disso, o Chipre não aplica retenções na fonte, o que significa que os lucros podem ser distribuídos para qualquer parte do mundo sem pagar impostos.

Holdings em Malta

Malta é também uma escolha frequente e destaca-se essencialmente pelas mesmas vantagens que o Chipre.

O imposto corporativo é mais baixo, 5%, mas está associado a um procedimento de reembolso de impostos, segundo o qual 30% dos lucros são bloqueados por, pelo menos, várias semanas.

Malta é geralmente mais cara do que o Chipre e, por experiência própria, é mais complicada de gerir que o Chipre, já que na maioria dos casos para alcançar o imposto corporativo de 5% serão necessárias duas empresas.

Holdings na Estônia

A Estônia e sua e-Residency é completamente superestimada para empresas operacionais, mas é uma opção muito interessante, embora pouco conhecida, para as holdings.

É pouco conhecida porque muito poucos empresários conhecem em detalhes o sistema de tributação das empresas estonianas.

  • O imposto de 20% (que pode ser reduzido para 14% se forem seguidas certas regras na forma de distribuição de dividendos) é um imposto corporativo diferido e não um imposto retido na fonte.
  • Na Estônia, a retenção é de 0%.

Sendo ele próprio um imposto corporativo, não pode ser reduzido pela diretiva sobre sociedades-matriz e subsidiárias ou com acordos de não-bitributação, nem pode ser apurado no país de residência dos sócios.

O imposto de renda diferido da OÜ estoniana se aplica somente quando um lucro obtido pela empresa por meio de comércio, serviços, concessões de licenças ou gestão de ativos foi distribuído.

Por outro lado, a renda que permanece na holding não é tributada, quer tenha sido investida ou reinvestida.

As distribuições de lucros de empresas associadas à holding na Estônia não contam como receita operacional e portanto não estão inclusas no imposto corporativo.

Ou seja, se uma sociedade anônima na Estônia tiver uma subsidiária em outra empresa da UE, na Espanha, por exemplo, a sociedade pagaria o seu imposto corporativo na Espanha (25%), mas não teria de efetuar qualquer tipo de retenção graças à diretiva relativa às empresas-matriz e subsidiárias.

Assim, os lucros passariam para a Estônia e, de lá, fluiriam diretamente para o indivíduo com uma retenção de 0% na fonte, independentemente do local de residência do parceiro final.

Holdings na Grã-Bretanha

Após o Brexit, é preciso ter muito cuidado ao lidar com a Grã-Bretanha, já que a diretiva matriz-subsidiária da UE não mais se aplica.  

Há países que não fazem parte da UE que ainda fazem parte desta diretiva, como a Suíça ou a Noruega, mas o Reino Unido não seguiu o mesmo caminho.

Dito isso, as Limited na Inglaterra têm um imposto corporativo de 19%, não retém nada na fonte sobre dividendos e destacam-se, sobretudo, porque o seu registro é muito barato e rápido.

Holdings na Irlanda

A Irlanda é um caso especial, mas em muitas situações pode valer a pena para uma holding.

Este é um caso especial porque a holding só é apelativa se o indivíduo estiver planejando permanecer na UE como residente, uma vez que a Irlanda só distribui lucros sem retenção se a sede da empresa ou a residência do parceiro estiverem localizadas em um país da UE.

Além disso, o administrador também deve residir na UE; caso contrário, surgem custos adicionais elevados para obter um seguro de responsabilidade do administrador.

No entanto, com 12,5% do imposto corporativo e alguns excelentes acordos de não-bitributação, especialmente com paraísos fiscais (por exemplo, Panamá), a Irlanda pode valer a pena em alguns casos.

Holdings na Holanda + Curaçao

Na realidade, a Holanda oferece a holding intermediária perfeita e, de certa forma, a melhor transição para uma holding final.

A retenção na fonte de 15% nas distribuições de dividendos a particulares torna-a menos interessante, apesar das suas outras excelentes qualidades, razão pela qual deve ser utilizada como uma holding intermediária.

Felizmente existe um país fora da UE com uma tributação muito favorável e muito fácil de combinar com os Países Baixos: a sua antiga colônia, Curaçao, que agora é uma ilha independente nas Antilhas Holandesas (ilhas ABC).

O acordo de não-bitributação entre Curaçao e Holanda estipula que não haverá retenção de dividendos quando eles fluírem para residentes em Curaçao (desde que os requisitos mínimos sejam atendidos, caso contrário, há uma retenção de 5%).

Especialmente no longo prazo, visto que a UE ameaça uma retenção na fonte punitiva para distribuição de dividendos aos paraísos fiscais, a combinação Holanda-Curaçao é uma boa opção.

Holding intermediária e gestão de ativos

Geralmente, é possível, no nível de holding intermediária, usar uma sociedade de capital a partir de quase qualquer jurisdição.

O mais importante para a escolha é que:

  • A holding combine bem com a empresa do portfólio principal
  • Ofereça acesso ao acordo de bitributação que for necessário.

Em geral, as empresas são válidas dentro e fora da União Europeia.

Dependendo do mercado em que são vendidas, as holdings intermediárias devem estar localizadas em países com um passado colonial ou com algum outro tipo de relacionamento forte. Assim:

  • A França tende a ter bons acordos com paraísos fiscais francófonos
  • A Espanha com paraísos fiscais latino-americanos
  • Portugal com seus antigos territórios na África e Ásia
  • Países da Europa Oriental com antigos estados soviéticos
  • Dubai com o Oriente Médio
  • Hong Kong com a China.
Por exemplo, no caso de Maurício, que tem uma população maioritariamente indiana, não é surpreendente que tenha o melhor acordo de bitributação disponível com a Índia, um acordo que reduz o imposto retido na fonte para 5%

No entanto, dos mais de 40 acordos assinados por Maurício, não há nenhum com países ibero-americanos até a publicação deste artigo.

Até mesmo paraísos fiscais com uma má reputação internacional, como o Panamá, oferecem opções interessantes de acordo com a combinação.

O mais importante é fazer a escolha certa com a holding final da qual você distribuirá os dividendos finais. As holdings intermediárias podem sempre ser adicionadas em caso de necessidade, embora para os pequenos empreendedores, elas raramente valham a pena se a única coisa que conseguirem for evitar uma retenção de 5% (cenário que muda drasticamente com grandes somas).

O artigo de hoje não foi sobre proteção do patrimônio, mas deve ser mencionado aqui que as holdings também são utilizadas para esse fim.

Em geral, é preferível ter as holdings em estruturas que protejam o seu patrimônio, como:

  • Fundações
  • Associações
  • Trustes

Claro, existem dois problemas nesse caso.

No caso de trustes e fundações, é possível, dentro de certos limites, dar salários e pagamentos para si mesmo, desde que você seja o beneficiário. No entanto, especialmente em jurisdições com forte pressão fiscal e que são altamente regulamentadas, é necessário abrir mão de praticamente todo o controle e gestão da empresa.

Por outro lado, como beneficiários, obtemos renda e não dividendos, que geralmente estão sujeitos a uma tributação mais elevada. No Chipre, por exemplo, apenas os dividendos são isentos de impostos, ao passo que, uma vez excedido o limite isento de 19.500€, a renda é tributável.

No caso das associações, se elas forem bem estruturadas, você pode ter controle total, mas não pode distribuir dividendos, somente se pagar um salário. Além disso, dependendo do país em que você reside, você pode não reconhecer a associação como o verdadeiro proprietário da estrutura de holding e outros.

Claro, também existem soluções para o empresário ou investidor astuto. Se não quiser receber o dinheiro como salário da fundação ou associação, você pode transferi-lo para outra empresa que o possa converter em dividendos.

Ou seja, se tanto a fundação ou associação quanto o beneficiário final possuírem empresas offshore, o lucro poderá ser movimentado entre essas empresas que não têm obrigação de prestação de contas.

Nesse caso, o dinheiro muda de dono para as contas emitidas de uma empresa para a outra. Assim, a empresa offshore de propriedade do destinatário final pode distribuir dividendos sem retenções ou impostos.

Conclusão

E aqui estamos, nos aprofundando de forma plena no mundo da retenção de dividendos e das opções que as holdings oferecem.

Caso você precise de ajudar para aplicar tudo isso à sua situação ou queira construir uma estrutura adequada, fique à vontade para agendar uma consultoria conosco.

Porque a sua vida te pertence!

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